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Leodegário Amarante de Azevedo Filho nos deixou em 2011, mas também dele herdamos um legado propostas de projetos educacionais, em meio a múltipas ações pessoais, como se registram no noticiário da Revista da Academia Brasileira de Filologia, nº. VIII, de 2011, nas páginas 188 em diante, incluindo fotos. Aí se lê o depoimento de Edgar Flexa Ribeiro, presidente da Associação Brasileira de Educação (ABE), da FOLHA DIRIGIDA, de Antônio Martins de Araújo, Presidente da Academia Brasileira de Filologia, dentre outros, ressalte-se aqui a sua atuação como professor de ensino médio do estado e titular na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e além de outras universidades brasileiras, atuou em estrangeiras, com uma longa trajetória na educação em quase todas as áreas de Letras. Foi professor visitante em universidades, como a de Coimbra (Portugal), a de Colônia (Alemanha), Granado (Espanha) etc. Construiu uma lista de premiações, reconhecida por seus pares com justiça, no Brasil e no Exterior, como ilustram a “Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique”, Governo de Portugal (1991); o “Prêmio Machado de Assis”, pelo conjunto de suas obras, Academia Brasileira de Letras (1995) e muitas outras de valor excepcional.

Notabilizou-se por sua especialização em Luís Vaz de Camões, por essa razão estudou o mundo clássico exaustivamente. Sabe-se que o Renascimento camoniano é uma paisagem repleta de fragmentos da Literatura Grega e Literatura Latina. Ninfas dos hexâmetros homéricos agora se identificam com o rio Tejo, ressurgindo como Tágides em versos decassílabos. Foram delas que o Poeta obteve um novo engenho ardente:

E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloquo e corrente,
Porque de vossas águas, Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipocrene. (Canto I, 4)

Além de Vergílio, poeta apreciadíssimo por Camões, compulsou a estética horaciana, assimilada pela lírica camoniana e abriu janelas de leituras a partir de Puluis et umbra sumus (Odes, IV, 7, 16), somos pó e sombra; Carpe diem (Odes, I, 11, 8), aproveita o dia em múltiplos artigos, como se lê, por exemplo, em um ensaio, intitulado A Lírica de Camões e a Relatinização do Português Quinhentista.

A Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL) ficou sem a atuação de seu presidente de tantos anos. Outras associações a que pertencia, como a Academia Carioca de Letras e Academia Luso-Brasileira de Letras, também foram tomadas como arautos, onde proclamava “Nunca abram mão de suas utopias”, além do seu estilo de mestre, cujo amor ao magistério se resume em sua frase: “Nunca deixo de responder a uma pergunta de um aluno”.
 

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